Prevenção de fraude
Golpe do falso comprador: como evitar fraude em vendas B2B
No golpe do falso comprador, alguém se passa por uma empresa real, faz um pedido a prazo e desaparece com a mercadoria. Veja como o golpe funciona, quais sinais aparecem antes do faturamento, como conferir cada um e o que fazer se a sua empresa já foi vítima.
Resumo em 30 segundos
- No golpe do falso comprador, o fraudador usa o nome e o CNPJ de uma empresa real (ou uma empresa de fachada) para comprar a prazo e não pagar.
- Os sinais mais comuns são e-mail com domínio parecido, entrega em endereço diferente do cadastro, primeiro pedido alto e urgente e pressão para pular etapas.
- A defesa principal é confirmar o pedido por contatos obtidos de forma independente, nunca pelos dados que vieram no próprio pedido.
- Limite reduzido para o primeiro pedido, regra para alteração de dados bancários e registro de quem aprovou fecham as brechas mais exploradas.
- Se o golpe aconteceu, preserve as provas e registre boletim de ocorrência: o estelionato é crime previsto no art. 171 do Código Penal.
O que é o golpe do falso comprador?
O golpe do falso comprador é uma fraude em que alguém se apresenta como cliente legítimo, faz um pedido para pagamento a prazo e some depois de receber a mercadoria. Quando o boleto vence, a empresa descobre que o "cliente" nunca existiu ou que a empresa real, cujo nome foi usado, não fez pedido nenhum.
Ele atinge principalmente quem vende para outras empresas: indústrias, distribuidoras, atacados e locadoras de equipamentos. O motivo é simples: vendas B2B costumam ter valores altos, faturamento a prazo e um processo comercial que confia em e-mail e telefone.
Como funciona a fraude em vendas B2B
Os formatos variam, mas a maioria segue alguns roteiros conhecidos.
Uso do CNPJ de uma empresa real
O fraudador escolhe uma empresa com boa situação cadastral, sem restrições e com anos de mercado. Ela passa em qualquer consulta de CNPJ. A diferença está nos detalhes que ele controla: o e-mail, o telefone e o endereço de entrega.
E-mail com domínio parecido
Em vez de compras@empresa.com.br, o pedido chega de compras@empresa-com.com.br, empresa.net ou de um endereço em provedor gratuito. A troca de uma letra ou a inclusão de um hífen passa despercebida em uma caixa de entrada cheia.
Entrega em endereço diferente
O pedido pede entrega em um galpão, filial "nova" ou endereço de transportadora que não aparece no cadastro da empresa. É ali que a mercadoria é retirada e desviada.
Empresas de fachada e laranjas
Em outra versão, a empresa é real no papel, mas foi aberta ou comprada só para aplicar o golpe. Os sócios costumam ter sido incluídos há pouco tempo, às vezes em nome de pessoas sem relação com o negócio. A empresa faz pequenas compras, paga em dia para ganhar confiança e, depois, faz um pedido grande com vários fornecedores ao mesmo tempo. É a chamada "compra e some".
Sinais de alerta do falso comprador
Nenhum sinal isolado prova fraude, mas a combinação de dois ou três deles deve parar o pedido até a conferência.
| Sinal | Como conferir |
|---|---|
| E-mail com domínio diferente do site oficial | Compare letra por letra com o domínio do site da empresa e consulte a data de registro do domínio |
| Domínio registrado há poucos dias ou semanas | Consulte o WHOIS no Registro.br (para domínios .br) e veja a data de criação |
| Endereço de entrega diferente do cadastral | Compare com o endereço do CNPJ na Receita Federal e com filiais registradas |
| Primeiro pedido alto e com urgência | Compare o valor com o porte da empresa e com pedidos típicos do segmento |
| Pressão por prazo e pedido para pular etapas | Mantenha o fluxo normal e confirme por telefone público |
| Telefone que só atende celular ou não aparece em fontes públicas | Ligue para o número do site oficial ou de fontes públicas, não para o do pedido |
| Sócios incluídos recentemente | Confira o quadro societário e a data das alterações |
| Pedido de produtos fora da atividade da empresa | Compare com o CNAE e com o que a empresa costuma comprar |
| Pedido para trocar dados de pagamento ou de faturamento por e-mail | Confirme por canal independente antes de aceitar qualquer mudança |
Como evitar o golpe do falso comprador: checklist
1. Confirme o pedido por um contato independente
Esta é a regra mais importante. Busque o telefone no site oficial da empresa, em fontes públicas ou no seu próprio cadastro antigo, e ligue para confirmar que o pedido existe e quem é o comprador. Nunca use o telefone ou o e-mail que vieram junto com o pedido para essa confirmação.
2. Compare o endereço de entrega com o cadastro
O endereço de entrega deve bater com o endereço do CNPJ ou com uma filial registrada. Se não bater, peça a explicação por escrito e confirme pelo contato independente. Para entender o que consultar no cadastro, veja o guia de consulta de CNPJ, situação cadastral e sócios.
3. Verifique a idade do domínio de e-mail
Para domínios .br, a consulta WHOIS do Registro.br mostra a data de criação do domínio. Uma empresa com dez anos de CNPJ usando um domínio criado na semana passada é um sinal forte de fraude. Para outros domínios, ferramentas de WHOIS públicas mostram informação semelhante.
4. Defina limite para o primeiro pedido
Clientes novos devem começar com um limite de crédito menor, que cresce conforme o histórico de pagamento. Pedido inicial acima desse teto exige pagamento antecipado, entrada ou aprovação de alçada superior.
5. Não altere dados bancários ou de faturamento por e-mail
Mudanças de dados de pagamento, endereço de cobrança ou contato financeiro só devem valer depois de confirmadas por canal independente. Essa regra também protege contra a fraude inversa, em que o golpista se passa pelo seu fornecedor.
6. Faça a análise de crédito mesmo com pressa
A urgência é uma ferramenta do golpe. O pedido precisa passar pela mesma análise de crédito de cliente PJ que qualquer outro: cadastro, sócios, restrições, processos e porte.
7. Registre quem aprovou e com quais dados
Guarde as consultas feitas, a data, o contato usado na confirmação e o nome de quem liberou o pedido. Esse registro ajuda a investigar, a acionar seguro quando houver e a corrigir o processo.
Como identificar uma empresa de fachada
Empresas de fachada passam na consulta cadastral básica, então é preciso olhar além do "ativa". Observe:
- Data de abertura recente ou mudança recente de sócios e de endereço.
- Capital social e porte que não combinam com o volume do pedido.
- Endereço cadastral em local que não comporta a operação declarada.
- Sócios sem histórico empresarial ou ligados a empresas baixadas.
- Vários fornecedores recebendo pedidos grandes da mesma empresa no mesmo período.
Quando esses sinais aparecem juntos, a saída mais segura é vender à vista ou com pagamento antecipado até que exista histórico.
O que fazer se a sua empresa caiu no golpe
Preserve as provas
Guarde e-mails com cabeçalhos completos, mensagens, pedidos, notas fiscais, comprovantes de entrega, dados da transportadora e gravações, se houver. Não apague nada e não responda ao fraudador avisando que descobriu o golpe.
Registre boletim de ocorrência
Obter vantagem ilícita induzindo alguém a erro configura estelionato, crime previsto no art. 171 do Código Penal. Registre o boletim de ocorrência na delegacia ou na delegacia online do seu estado, com todos os documentos. Ele é necessário para a investigação e costuma ser exigido por seguradoras.
Avise a empresa cujo nome foi usado
Se o CNPJ de uma empresa real foi usado, comunique a ela pelo contato oficial. Ela também é vítima e pode ter informações úteis, além de precisar se proteger de novos pedidos em seu nome.
Tente rastrear a mercadoria
Acione a transportadora imediatamente. Às vezes ainda é possível bloquear a entrega ou identificar quem retirou a carga.
Revise o processo
Identifique qual etapa falhou e transforme a lição em regra escrita na sua política de crédito.
Perguntas frequentes
O que é o golpe do falso comprador?
É uma fraude em que alguém se passa por uma empresa, normalmente usando um CNPJ real ou uma empresa de fachada, faz um pedido a prazo e desaparece com a mercadoria sem pagar.
Consultar o CNPJ basta para evitar o golpe?
Não. No golpe com CNPJ de terceiros, a empresa consultada é legítima e passa na consulta. A proteção vem de confirmar que o pedido realmente partiu dela, comparando endereço, domínio de e-mail e contatos com fontes independentes.
Como saber se um e-mail de pedido é falso?
Compare o domínio com o do site oficial da empresa, verifique a data de criação do domínio no WHOIS e confirme o pedido por telefone obtido em fonte pública. Domínio recente ou ligeiramente diferente é sinal forte de fraude.
O golpe do falso comprador é crime?
Sim. A conduta de obter vantagem ilícita mantendo alguém em erro por meio fraudulento é estelionato, previsto no art. 171 do Código Penal. A vítima deve registrar boletim de ocorrência e preservar as provas.
Seguro de crédito cobre fraude?
Depende da apólice. Algumas coberturas excluem fraude ou exigem que a empresa tenha seguido procedimentos de verificação. Leia as condições e mantenha o registro das conferências feitas em cada pedido.
Fontes
- Decreto-Lei 2.848/1940, Código Penal: art. 171 (Planalto)
- Registro.br: consulta WHOIS de domínios .br
- Receita Federal: Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (CNPJ)
Este conteúdo é informativo e resume práticas de mercado e normas públicas. Não constitui assessoria jurídica, contábil ou financeira nem substitui a orientação de profissionais habilitados.